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[Manager Empregos] A arte de sonhar sensatamente
A arte de sonhar sensatamente
por Ricardo de Almeida Prado Xavier*
Chega o começo do ano e a pessoa se vê tomada pelo desejo de fazer um balanço do ano que passou e, ao mesmo tempo, de estabelecer metas para 2007. Ótimo! Isso é sintoma de que está bem em termos psicológicos, que encontra sentido no trabalho e na vida, que tem motivação para crescer, enfim, que está jogando para valer, animada e comprometida. Sonhos de transformação, autotransformação e realização - eis o primeiro requisito para a criação de uma carreira vencedora; mas a ele devem somar-se mais dois, fundamentais: 1) dar sensatez aos sonhos; 2) partir para a ação, porque sonhos, por si sós, não transformam nem a pessoa nem o mundo que a cerca.

Podemos dizer que a primeira parte da brincadeira, sonhar, é comandada pelo coração, natural na pessoa emocionalmente saudável, fácil e - exatamente devido a essa condição - não traz o verdadeiro desafio que precisa ser vencido para o crescimento. Já a segunda e a terceira, por demandarem mente clara e vontade firme, trazem dificuldades maiores e indicam as conquistas que a pessoa tem de fazer para transformar seus sonhos em realizações concretas.

Sonhando com os pés no chão

Em 2007 quero ganhar muito dinheiro! Essa meta é sensata? Pode ser, desde que a pessoa saiba, pelo menos aproximadamente, quanto é esse "muito", que atingir essa cifra seja possível nas circunstâncias de mercado, tenha um plano viável para buscá-lo e que esteja disposta a empenhar o tempo, os recursos e a dedicação necessários para isso. Nesse caso, a pessoa estará sonhando alto, mas com os pés no chão. Imaginemos outra meta: Em 2007 quero chegar à Gerência! Essa será sensata se a empresa tiver potencial para oferecer essa oportunidade, se a pessoa estiver preparada para assumir a posição e tiver legitimidade em termos de resultados. Por outro lado, uma meta bem mais viável e que depende somente da pessoa (Em 2007 vou parar de fumar!) pode ser apenas um sonho inconseqüente, caso a pessoa não esteja efetivamente determinada a passar pela dor e pelo sofrimento necessários para atingi-la. No caso, a meta será simples auto-engano, com efeito colateral negativo: a queda da auto-estima, já que a pessoa faz promessas a si mesma e não as cumpre.

Antes de estabelecer metas, portanto, é conveniente perguntar: a) O mundo vai permitir que esse sonho se realize? Por exemplo, o mundo dificilmente permitirá que um indivíduo sem a devida qualificação seja o galã da novela das 8; b) Estou efetivamente disposto a buscar essa conquista, pagando o preço que for necessário? É bom lembrar que tudo tem um preço e que ninguém faz omelete sem quebrar os ovos; c) Tenho um plano viável, sob a perspectiva de outras pessoas sensatas? Já que sob a própria perspectiva o plano pode ser ilusório, nada melhor que submetê-lo ao julgamento de terceiros.

Um, dois, três... ação!

A pessoa sabe o que deseja atingir, isso é viável, e ela tem um plano coerente e que tem efetiva probabilidade de levar à realização. Tudo isso é nada se não houver a largada. É preciso arregaçar as mangas e trabalhar para efetivamente fazer as coisas tomarem forma concreta. Diz-se que tudo na vida é criado duas vezes - a primeira vez na mente de quem sonhou e a segunda no mundo real, onde só o que é concreto conta.

Como efetivamente orientar-se para a ação? Há alguns comportamentos que estão presentes nos grandes realizadores e que podem ser copiados pela pessoa que queira tornar-se mais capaz de fazer grandes coisas. Deles podemos extrair algumas diretrizes:

Começar já! - As metas são para o ano de 2007, mas por que não começar já a sua busca? Alguma coisa pode e deve ser feita ainda antes do Carnaval e o comportamento saudável é não esperar pelo tempo "certo" para agir, pois esse tempo é agora.

Pedir ajuda - Ninguém realiza nada sozinho. Todo sucesso advém do apoio dos outros. É necessário contar para eles quais são as metas e verificar em que podem ajudar. Mais que isso: é necessário pedir que ajudem. Lembre-se do truque do atendente da lanchonete: Aceita um suco para acompanhar? Se a pessoa não pedir, ninguém vai adivinhar que ela quer ajuda, ou ninguém vai se lembrar de ajudá-la.

Mecanismos de autocontrole - A pessoa se distrai... e lá se vai a meta! É necessário encontrar meios de "encurralar-se" para controlar o próprio comportamento e efetivamente fazer o que tem de ser feito. Por exemplo: escrever as metas na agenda que se vai manusear todo dia, deixar o plano básico no papel de parede do computador, obrigar-se a fazer revisão semanal e mensal do plano, etc.

Nunca desista! - Se a meta é factível e o plano é sensato, é fundamental seguir o conselho de Winston Churchill: Nunca, nunca, nunca desista. Erros e dificuldades aparecem mesmo e é superando esses obstáculos que a pessoa consegue grandes realizações.
* Ricardo de Almeida Prado Xavier, administrador de empresas, é presidente do Conselho de Administração da Manager Assessoria em Recursos Humanos.

E-mail: ricardo.xavier@manager.com.br




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